A cor é a impressão que a luz reflectida! pelos corpos produz no órgão da vista (Priberam, 2011), que pode funcionar como sinal ou como símbolo; (…) para valorizar um objecto ou, pelo contrário, para neutralizar a sua presença, camuflando-o. (Brito & Miranda, 1998)
Assume uma importância fulcral no dia-a-dia de todos nós e suporta a nossa percepção que temos de uma miríade de aspectos. Obviamente, já não concebemos a nossa vida sem a existência de cores.
Num primeiro contacto com o exercício, levei a cabo uma reflexão no intuito de ter um entendimento mais claro daquilo que havia de ser feito, tendo, subsequentemente, seleccionado de uma vasta quantidade de imagens, aquelas que iria alterar. Muitas das que seleccionei para a recolha fotográfica, no entanto, são perfeitos exemplos da importância da cor, que adquire um significado, facilitando a compreensão da mensagem (Brito & Miranda, 1998), na transmissão de uma mensagem visual, como são, por exemplo, os paradigmáticos casos do ecoponto e do semáforo – a título de curiosidade, e como é relembrado em The Fundamental of Creative Design (2003), pastel hues of blue and pink are associated with newborn children in Western Culyuttrd; pale blue for boys and pale pink for girls.
Procedi, de seguida, à selecção de três exemplos que considerei assaz relevantes para a consecução dos desígnios a que me propus.
O trabalho inicial foi o da alteração do logótipo do Turismo de Portugal, que ostenta as cores da bandeira portuguesa (verde e vermelho), assim como contém alusões ao sol, na parte de cima, e ao mar, no rodapé. Coloquei os tons referentes à bandeira nacional em vermelho e, no que concerne aos restantes símbolos, apliquei-lhes a cor amarela. Como resultado, nota-se uma clara distorção do sentido original da imagem, que assim perde completamente o seu significado visual, ficando a parecer-se mais com uma promoção ao turismo… espanhol.
No segundo caso, recolhi um anúncio publicitário que publicitava a entrada no Verão, com a escolha corriqueira do laranja e do azul claro, cores do sol e do céu, respectivamente. O que fiz foi escurecer a imagem, o que fez com que perdesse todo o seu significado visual e, tendo em conta que uma cor quente, luminosa, saturada ou iluminada atrai mais a nossa atenção visual (Porfírio & Ramos, 2005), o seu carácter apelativo. Na pós-alteração, verifica-se uma imagem que carece de lógica, pois o texto não é devidamente acompanhado pelos tons frios - mais associáveis à época de Inverno.
Já a terceira e última mudança, consistiu na alteração das cores num cartaz do filme Black Swan. Logicamente, numa película na qual se encena essa famosa peça, com dois cisnes – um branco e outro preto – a publicidade é feita com a actriz principal, Natalie Portman, completamente maquilhada de branco, exceptuando a zona em redor dos olhos, pintada de preto. O restante conteúdo do cartaz é preenchido com um fundo branco e letras com o título do filme a preto. Aqui, decidi optar por uma abordagem um pouco diferente daquilo que havia feito nos dois casos anteriores, com uma homenagem às cores que eram e são utilizadas naquilo a que vulgarmente se designa de Pop Art. Essa época foi um marco decisivo na História da Arte, transpondo e interpretando a iconografia da cultura popular (Castelo, 2002) e ficou, como dito anteriormente, marcada pela utilização de cores extremamente vivas e até extravagantes. Com a escolha de azuis e amarelos tão vivos como os utilizados no cartaz do Cisne Negro pretendi fazer uma homenagem a Andy Warhol, principal vulto desta época, que efectuou procedimentos até então invulgares com, por exemplo, a cara da insigne Marilyn Monroe.
Em jeito de balanço, foi um trabalho extremamente profícuo no sentido da racionalização e de um maior reconhecimento da importância da cor, que é utilizada no design to attract attention, group elements, indicate meaning, and enhance aesthetics. (Hastings, 2009) No nosso quotidiano. Deu-me imenso prazer “brincar com as cores” e verificar os resultados finais, especialmente nos três casos que apresento neste trabalho. A grande complexidade deste trabalho deu-se não só com a minha inexperiência no Photoshop, mas mormente com a terceira imagem, que se revelou uma árdua tarefa na escolha de cores que reflectissem bem o ideal de Warhol. Revelou-se uma investigação e uma “formação” bastante curiosa, indubitavelmente.
Bibliografia
PORFÍRIO, Manuel & RAMOS, Elza. Educação Visual. Edições Asa. 2005, pp. 104
BUTLER, Jil & HOLDEN, Kritina & LIDWELL, William. Universal Principles of Design. Rockport. 2003, pp.110
BRITO, Maria José & MIRANDA, Helena. Debaixo d´olho. Texto Editora. 1998, pp. 17 e 184
Cor. In Dicionário de Língua Portuguesa, Priberam. 2011. [Consult. 2011-06-17].
Disponível na www: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=cor
CASTELO, Cláudia. O que é a Pop Art?, Público Online, 2002. [Consult. 2011-06-17].
Disponível na www: http://dossiers.publico.pt/noticia.aspx?idCanal=293&id=67319
HASTINGS, David. Web Design and Colour Theory. In Sunstar Creative, 2009. [Consult. 2011-06-17].
Disponível na www: http://sunstarcreative.ca/web-design-principles/web_design_colour_theory/






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